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"O prepúcio é só um pedaço inútil de pele."
FALSO. O prepúcio é tecido erógeno especializado (ver seção anatomia). Apenas por sua ausência, homens circuncidados sentem consideravelmente menos prazer sexual.

Ele é também uma estrutura protetora da glande contra fatores externos, e mantém sua umidade adequada. Não apenas no homem, mas em todos os mamíferos, a glande é um órgão interno, exposto apenas durante a excitação sexual. Sem ele, a superfície da glande pode ficar queratinizada - grossa, seca, rígida, e quase insensível.

Além disso, muitos homens nem percebem, mas, na relação sexual, o pênis não deve se mover dentro da vagina. O correto é que ele se mova dentro da própria pele, que permanece quase imóvel. Isto se chama ação de deslizamento - impossível para um homem circuncidado - que reduz imensamente o atrito e torna o ato sexual muito mais agradável para o homem e sua parceira.

"Bebês não sentem dor."
FALSO. Bebês são extremamente sensíveis à dor, até mais do que os adultos, o que torna a circuncisão um procedimento traumático. Por outro lado, bebês também são propensos a choques anafiláticos (reações alérgicas a anestésicos) potencialmente fatais.

"A circuncisão ajuda na higiene do bebê."
FALSO. Ao contrário, só atrapalha: ela facilita o contato de uma parte delicada do corpo com sujeiras externas - especialmente as fezes do próprio bebê na fralda.

Não existe necessidade de manipular a glande diretamente. É suficiente lavar o exterior do pênis com água morna e sabão. Não tente, de maneira alguma, tentar retrair a glande de um bebê, isso pode machucá-lo.

Mais tarde, não haverá muita diferença entre ensinar uma criança a lavar os dentes, as orelhas, ou as partes íntimas. Se você não é capaz de educar uma criança adequadamente, seria melhor nem ter filhos. Fale com seu médico sobre métodos anticoncepcionais.

"Meu filho tem fimose."
FALSO. Nos bebês, o prepúcio e a glande normalmente estão aderidos, e é normal que esta condição dure até por volta dos 4 anos de idade. Em alguns casos, pode durar até a adolescência, sem que isto constitua qualquer problema de saúde. Assim, é impossível diagnosticar com segurança a fimose em crianças pequenas.

O menino cresce, vira um homem, e a fimose se confirma. O que fazer? Tratamento com cremes esteróides tópicos. Um desenvolvimento recente da medicina é o Postec, da Apsen Farmacêutica. Segundo o fabricante, este produto resolve 90% dos casos de fimose, sem cirurgia - e com um custo muito inferior.

Há ainda, em último caso, a prepucioplastia, uma cirurgia muito superior à circuncisão, por ter efeitos colaterais mínimos; ela consiste em realizar uma simples correção no prepúcio sem remover qualquer tecido. É um procedimento simples, lógico, seguro - mas, ainda assim, quase desconhecido e pouco realizado.

Se o seu médico disser que "não acredita" na eficácia de tais tratamentos, ele é um ignorante, ou está tentando convencer você a fazer uma cirurgia em que o único beneficiado é a conta bancária dele. Troque de médico imediatamente, e alerte seus amigos para evitar tal indivíduo!

"A circuncisão é uma operação segura."
FALSO. Os médicos da D.O.C. pesaram riscos e benefícios.

Para cada 100.000 circuncisões, talvez evitem-se 900 infecções urinárias (facilmente tratáveis com antibióticos) e um caso de câncer do pênis (geralmente associado à presença do vírus HPV, então o uso de camisinha teria o mesmo efeito).

Por outro lado, faz-se com que todos esses 100.000 meninos passem por momentos de dor extrema e, mais tarde, tenham sua capacidade de sentir prazer sexual severamente reduzida; 7.000 sofrem outras complicações, de gravidade variável.

Ao menos um bebê morrerá.

Os efeitos psicológicos também são sérios - em muitos casos, os mesmos notados em vítimas de estupro. Sentimentos devastadores de raiva, rancor, desconfiança, vergonha, baixa auto-estima, impotência, desespero, e mesmo tendências suicidas são bastante comuns (recomendo a leitura de Psicanálise da Circuncisão, de Moisés Tractemberg).

Portanto, os benefícios alegados (e nunca confirmados) são insignificantes, os riscos são consideráveis, e os efeitos colaterais são desastrosos. Para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, a circuncisão é indefensável. Qualquer médico que ainda realize tal procedimento é indigno da profissão.

"É nossa tradição cultural/religiosa."
IRRELEVANTE. Nenhuma crença ou costume pode justificar um crime. A circuncisão é um crime, inegavelmente, pois se trata de flagrante violação do direito mais básico do ser humano: a integridade do próprio corpo.

Ninguém tem o direito de, por exemplo, cortar fora a mão de uma criança, então porque teria o direito de cortar parte de sua genitália? Você simplesmente não tem o direito moral de fazer isso. Ninguém pode ter esse direito.

Muitas famílias judaicas perceberam a imoralidade de manter este costume insensato que causa tanto sofrimento. Em substituição ao bris milah, adotaram novos rituais que não envolvem qualquer ferimento à criança, como o bris shalom. Em alguns países da Europa, a maioria dos judeus não é circuncidada.

E, por falar em religião: é interessante notar que a Igreja Católica, ao contrário do que muitos pensam, é estritamente contrária à circuncisão, desde seu princípio, e, até hoje, oposta a qualquer espécie de mutilação.

"A circuncisão é irreversível."
FALSO. Uma boa notícia para quem é circuncidado: é possível recuperar o que você perdeu - ou pelo menos uma parte considerável (ver seção reconstrução).